Athos-Bulcão---Rafael-Adorjan---Divulgação

A decoração que nunca sai de moda

Engana-se quem ainda acha que os azulejos só podem ser usados nas paredes de banheiros, cozinhas e áreas externas. Hoje, é possível aproveitá-los em uma parte do piso, para dar acabamento à mesa de centro, como moldura de espelho no quarto ou em qualquer outro lugar que você queria dar um charme a mais. Para quem gosta de uma decoração colorida e com estilo, não se esqueça dos azulejos, tendência que sempre volta à moda.

Os ladrilhos coloridos e vitrificados não foram criados pelos portugueses, como muitas pessoas acham. A ideia original é dos árabes e chegou à Península Ibérica no século XVI, com a expansão islâmica pelo continente europeu. Azulejo, da palavra árabe azzelij (ou al zuleycha, al zuléija, al zulaiju, al zulaco), significa pequena pedra polida usada na produção de mosaicos bizantinos no Próximo Oriente, nos primórdios da era cristã, por volta dos séculos IV e V. As peças chegaram a revestir paredes de igrejas, templos e palácios.

Com o passar dos séculos e o fim da ocupação árabe do sul da Europa, novos povos ocuparam a Península Ibérica e trouxeram suas influencias estéticas, que se materializaram nos azulejos. Os portugueses passaram a produzir arte com forte acento barroco, com trabalhos que retratavam passagens bíblicas, histórias de santos e, por fim, as grandes conquistas do Reino de Portugal. Por anos, essa tradição se manteve e chegou ao Brasil, onde podemos encontrar vários exemplos dessa arte em cidades como São Luís do Maranhão, Salvador e Rio de Janeiro.

Um dos heróis das artes plásticas do Brasil causou uma revolução no desenho e no uso dos azulejos. Athos Bulcão, que deixou sua obra mais importante nas paredes de pilotis de prédios residenciais de Brasília e de prédios públicos da capital federal, deixou para trás o rebuscamento das formas e surgiu com uma proposta inovadora, moderna, minimalista, mas acima de tudo, colorida e brasileira. Sua influência na produção de azulejos ultrapassou os limites do Distrito Federal. Hoje, novos criadores desenham formas geométricas, que dão um toque moderno à decoração. As estampas em tons escuros como azul-marinho e preto em sintonia com móveis e acessórios de cores mais vivas, como o azul celeste ou o vermelho criam um diálogo perfeito entre tradição e vanguarda.

A revolução de Athos causou ainda um outro fenômeno. Os ladrilhos vitrificados deixaram a área de serviço e a cozinha para ocupar outros ambientes da casa. Além de protegerem as paredes, eles também assumem papel de destaque na decoração contemporânea e criativa – dão mais vivacidade, estilo e beleza – quando usados como um painel na sala ou até mesmo como acabamento na superfície de uma mesa na varanda – como uma espécie de mosaico.

A tendência atual é usar em um mesmo espaço, seja uma parede ou uma bandeja, azulejos – muitas vezes sem uma forma específica -, com desenhos e cores diferentes. Como composição do espaço, móveis com design leve e tons neutros colocam o mosaico em posição de destaque, tornando-se o elemento nobre do ambiente.

Tudo depende. Você gosta de cor e estampas, abuse dos mosaicos de azulejos. Você é do tipo que prefere mostrar sem revelar, então priorize os detalhes e aplique faixas estreitas, painéis ou até mesmo uma única parede do ambiente.

Athos Bulcão

O artista plástico Athos Bulcão, falecido em 2008, era um amante dos azulejos. Se há alguma marca registrada de seu legado, esta é, sem dúvida, o trabalho com o material. Seus painéis se mesclam aos monumentos da arquitetura modernista de Brasília – uma mistura de concreto com arte. Você pode encontra-los em pilotis dos prédios residenciais da Asa Sul, no Teatro Nacional e nas estações do Parque da Cidade, no Congresso Nacional, no Aeroporto Juscelino Kubitschek.

Agora, não só os brasilienses terão o prazer de conhecer a sua obra. Em São Paulo, as reedições de seis painéis de seu acervo de murais serão expostas na Galeria Nara Roesler, primeira galeria a exibir as obras do artista em São Paulo.

As obras escolhidas foram criadas baseadas naquelas expostas no Museu das Gemas, no Hospital de Brasília e no Centro de Reabilitação da Rede Sarah Kubitschek, no Instituto Rio Branco – todos edifícios na capital federal – e no Sambódromo do Rio de Janeiro. A exposição fica em cartaz dos dias 8 de abril a 16 de maio, e tem curadoria de Agnaldo Farias.

Em Brasília, a Fundação Athos Bulcão comercializa gravuras e azulejos do artista reeditados. Além disso, para manter vivia a arte da azulejaria, a FundAthos trabalha com artistas plásticos e designers que criam novas padronagens seguindo um princípio criado por Athos: A colocação das peças sobre a parede obedece à técnica de instalação que deixa aos cuidados da equipe de azulejistas a tarefa da montagem final dos painéis, dando-lhes apenas as instruções iniciais. Assim, nunca um painel será igual ao outro, mesmo que repita o desenho. Coisa de gênio!

Em 2014, a Via entregou aos proprietários o Via Ômega, um empreendimento que celebra a arte e a beleza da obra de Athos Bulcão e seu legado para o país. O pilotis tem painéis em azulejos exclusivos, assinados por Alexandre Mancini, artista representado pela FundAthos. Sua fachada foi fotografada por um morador de Brasília e venceu um concurso realizado por uma revista de grande circulação da cidade. Conheça esse e outros lançamentos Via que dão continuidade à tradição de modernidade de Brasília. Acesse clicando aqui.

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