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Ginga do design brasileiro é destaque no exterior

Bom humor, jogo de cintura, criatividade e uma boa dose de engenho está fazendo com que o trabalho de arquitetos, estilistas, artistas plásticos e paisagistas ganhe cada vez mais a atenção do público estrangeiro. Pinturas, fachadas, grafites, móveis, roupas e objetos de decoração idealizados por gente daqui já fazem parte do cotidiano de inúmeras cidades pelo mundo afora. Esse reconhecimento internacional ganhou força graças aos clássicos de Joaquim Tenreiro, Bernardo Figueiredo, José Zanine Caldas e Sérgio Rodrigues. E claro que não poderíamos deixar de falar de Oscar Niemeyer, que mesmo nos últimos momentos de vida, no alto dos seus 104 anos, não perdia o olho nas curvas de sua tão emblemática arquitetura espalhada pelo mundo.

Tão importante quanto os clássicos são alguns nomes que vem ganhando mais destaque e se firmando no mercado. Guto Índio da Costa, Hugo França, o Em2 Design e Renata Moura já são referência quando o assunto é design brasileiro. Além de serem destaques no Brasil, suas obras atravessam fronteiras e ganham espaços exclusivos em feiras e mostras em galerias importantes ao redor do planeta.

Veja a seguir os designers, as obras, os museus e as feiras onde o design brasileiro marca presença:

Feira do Móvel de Milão, que reúne anualmente milhares de expositoresem 2012, ganhou um espaço dedicado exclusivamente para o design brasileiro. Um amplo panorama foi apresentado a visitantes e formadores de opinião de todo o mundo que participaram do evento, o maior e mais importante do mundo quando o assunto é design.

Em fevereiro deste ano, o artista brasiliense Tunico Lages foi até Hollywood, nos Estados Unidos, apresentar a mostra ‘Fallen Giants’ – Gigantes Caídos, na tradução literal – obras em madeiras nobres brasileiras recuperadas. O artista trabalha apenas com madeira morta retiradas do Cerrado brasileiro. O resultado são móveis rústicos meticulosamente trabalhados e muito confortáveis. Isso sem falar no design único. “Melhor que virar carvão ou apodrecer no mato, é continuar sendo madeira de diversas maneiras”, disse Tunico em entrevista ao Estilo VIA. É por esse cuidado com a natureza e seu design único, que segundo os americanos tem mood – e por aqui dizemos que tem bossa -, é que Tunico Lages agora ganha o mundo. Lá fora, o designer brasileiro é conhecido como Tunico T. Para os norte-americanos, os móveis criados por Tunico apresentam um estilo descontraído. “O seu móvel tem humor”, disse um novaiorquino, depois de se balançar na chaise “preguiça”.

Sergio Rodrigues, conhecido mundialmente, é uma das mais admiráveis expressões do design do Brasil. O traço coerente e único inscreveu seu nome na história do design do século 20, sobretudo pela criação de uma grande variedade de produtos, como a Poltrona Mole. Seu trabalho já foi visto em Nova York, EUA, em Bruxelas, na Bélgica; em Madri, na Espanha e em Estocolmo, Suécia.

O museu de arte moderna de Nova York, o MoMA, um dos mais importantes do mundo, incluiu em seu acervo uma placa de sinalização de Brasília, idêntica à instalada na entrequadra 107/108 Sul. Ela deve ser exibida com outras obras modernistas brasileiras, em uma mostra prevista para entrar em cartaz daqui a dois anos e que incluirá esboços dos prédios de Oscar Niemeyer. Desenhadas por uma equipe brasiliense coordenada pelo arquiteto Danilo Barbosa, as placas de Brasília são as mesmas desde 1976, quando o Plano Diretor de Sinalização da capital foi elaborado.

Projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, a cadeira Paulistano foi feita para o Clube Athlético Paulistano, em 1957, e é produzida até hoje. Sem contar que ela está no acervo do MoMA e da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Cinco mil unidades da clássica peça de mobiliário já foram vendidas na Europa e também nos Estados Unidos. O francês Guillaume Leman, que morou no Brasil por três anos e voltou à França em 2002, junto dos sócios Matthieu Halbronn e Benoît Halbronn  são responsáveis por propagar o móvel no exterior. “É a peça que mais vendemos. É um clássico, uma criação inteligente, atemporal e bem feita”, diz o francês Guillaume Leman em entrevista ao Jornal Valor Econômico. Atualmente, as criações representadas por eles estão espalhadas por 200 pontos de venda na Europa. “O europeu gosta muito do design brasileiro instintivamente”, concluiu Leman.

Em maio do ano passado, Berlim, Alemanha, pôde apreciar uma mostra do design brasileiro através da ‘Brazilian Design: Modern And Contemporary Furniture’ (Design brasileiro: mobiliário moderno e contemporâneo). A mostra reuniu tesouros de uma coleção privada de 16 designers, arquitetos e estúdios. Foram expostas cerca de 60 peças entre móveis e objetos de decoração produzidos no Brasil nos últimos 80 anos. Veja as fotos:

 

Premiações

O reconhecimento do público internacional resultou na conquista de grandes prêmios para o design brasileiro. Em 2012, 18 brasileiros foram premiados no iF Product Design Award – a premiação alemã é considerada a mais importante do mundo no segmento, uma espécie de Oscar do design. Móveis, luminárias e objetos de decoração nacionais foram escolhidos pelo júri alemão. O estúdio Em2 Design, por exemplo, foi vencedor da última edição com a poltrona ‘Fago’. Outro grande destaque foi o banco intitulado de ‘Goma’, criado por Renata Moura. A peça ganhou dois prêmios no Brasil, IDEA/Brasil e Movelpar, e foi finalista em dois concursos no exterior, IF/Alemanha (2005) e IDEA/EUA(2008).

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